Linfoma Não Hodgkin

LINFOMA NÃO HODGKIN

Cerca de 85% de todos os linfomas malignos sãoLinfoma não Hodgkin (LNH). A idade média ao diagnóstico é a 6ª década de vida, apesar do linfoma de Burkitt e do linfoma linfoblástico ocorrerem em doentes mais jovens.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica os LNH em 3 grupos, relativamente à célula de origem:LNH de linfócitosB, LNH de linfócitosT e LNH células natural killer (NK).
OS LNH são tumorescom origem nos tecidos linfóides, principalmente nos gânglios linfáticos. Resulta de uma proliferação progressiva de células linfóides (B, T ou NK), causada pela acumulação de lesões na célula, que afectam proto-oncogenes ou genes supressores de tumor, com consequenteimortalização das células. Cerca de 85% de LNH são de origem das células B; apenas 15% são derivados de células T/NK. Podem resultar de mutações no DNA da célula, infecções, factores ambientais, estados de imunodeficiência e doenças inflamatórias crónicas.
O LNH é a neoplasia do sistema hematopoiético mais prevalente, representando aproximadamente 4% de todas as neoplasias, sendo 5 vezes mais comum do que o Linfoma de Hodgkin.A incidência de LNH é ligeiramente maior em homens que em mulheres, com uma proporção de aproximadamente 1,4:1, excepto no LNH difuso de grandes células B do mediastino que ocorre mais frequentemente em mulheres.A idade média de apresentação é >50 anos.

SINTOMAS

Na maioria dos doentes variam de acordo com factores tais como a localização do processo linfomatoso, a taxa de crescimento do tumor, e a função do órgão comprometida pelo processo maligno. Nos linfomas de baixo grau a apresentação clínica mais comum é adenopatias periféricas indolores e lentamente progressivas. O envolvimento extranodal primário, sintomas B (ou seja, temperatura> 38°C, sudoresenoturna, perda de peso > 10% da linha de base dentro de 6 meses), fadiga e fraqueza são comuns em doentes com transformação maligna avançada ou estadio final da doença. A medula óssea é frequentemente envolvida e pode estar associada a citopenias. A maioria dos doentes com linfomas Intermediários e de alto grau apresentam-se com adenopatias. Mais de 1/3 dos doentes apresentam envolvimento extranodal (trato gastrointestinal, pele, medula óssea, seios, trato geniturinário, tiróide e o sistema nervoso central). Sintomas B são mais comum, ocorrendo em aproximadamente 30-40% dos doentes. Os linfomas primários do SNC são neoplasias de células B de alto grau e são responsáveis por 1% de todas as neoplasias intracranianas.
Os linfomas de baixo grau podem apresentar-se com adenopatias periféricas, esplenomegalia (40%) e hepatomegalia. Os linfomas intermediários e de alto grau podem apresentar linfadenopatia volumosa e de rápido crescimento, hepatoesplenomegalia, massa abdominal/testicular. As lesões de pele estão associadas com linfoma cutâneo de células T (micose fungóide), linfoma anaplásico de grandes células e linfoma angioimunoblástica.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico de LNH depende da confirmação patológica após biópsia de tecido. Na abordagem diagnóstica considera-se a realização hemograma, bioquímica com LDH, beta2-microglobulina sérica, serologia para HIV e hepatite, radiografia do tórax, tomografia computadorizada (TC) do pescoço, tórax, abdome e pelve, biópsiaexcisional do gânglio/massa, mielograma e biópsia óssea.

TRATAMENTO

Vários fármacos são activos contra o LNH e podem ser usados sozinhos ou em combinação, dependendo do estadio do tumor, fenótipo (células B, T, NK/célula nulas), histologia (baixa, intermédio, ou alto grau), sintomas, performance status, idade e comorbidades. O tratamento inicial de doentes com LNH de grau intermédio ou alto e de doentes com doença volumosa, deve ser efectuado em ambiente hospitalar, de modo a monitorizar o síndrome de lise tumoral. Contudo, a maior parte do tratamento de quimioterapia endovenoso éadministrado em ambulatório, noHospital Dia. Além disso, vários tratamentos biológicas estão actualmente disponíveis incluindo interferon, rituximab, etc. Os corticóides destroem as células linfóides, podem ser utilizados como agentes antieméticos adjuvantes para diminuir o edema vasogénico associado a tumores, e como medicamento profilático para evitar reacções de hipersensibilidade associados com alguns fármacos quimioterapicos.

COMPLICAÇÕES DO TRATAMENTO:
Citopenias(ie, neutropenia, anemia, trombocitopenia), náuseas ou vómitos, infecções, fadiga, neuropatia, desidratação, toxicidade cardíaca a fármacos, sépsis e/ou trombose relacionada a cateter venoso central, neoplasias secundárias, síndrome de lisetumoral (hiperuricemia, hipercalemia, hiperfosfatemia, hipocalcemia e insuficiência renal).
DIETA:regular, excepto quando o doente tiver neutropenia. Doentes com neutropenia não devem comer frutas ou vegetais crus.
ACTIVIDADE FÍSICA: Osdoentescom neutropenia, trombocitopenia, ou ambos devem evitar a exposição ou contacto com outros doentes com doenças transmissíveis ou infecciosas, lavar os dentes com uma escova macia, não fazer a barba com uma navalha. Idealmente, os doentes com neutropenia grave devem ser internadosem quarto com isolamento de contacto e não devem ficar muito tempo na sala de emergência para avaliação.

EVOLUÇÃO

A evolução da doença depende dos seguintes factores: histologia do tumor (com base na classificação WorkingFormulation), estadio, idade, massa tumoral, performance status, lactato desidrogenase (LDH), beta2-microglobulina e presença ou ausência de doença extranodal. O Índice Prognóstico Internacional (IPI) é usado para identificar doentes com elevado risco de recaída e inclui as seguintes características clínicas, que são factores preditivos de sobrevivência: idade – = 60 anos vs> 60 anos, LDH – Dentro da faixa de referência vs elevada, Status-EasternCooperativeOncologyGroup(ECOG) grau 0-1 vs 2-4, estadioAnnArbor – I-II vs III-IV, número de sítios extranodais – 0 a 1 vs> de 1. Os linfomas de baixo grau têm comportamento clínico indolente e estão associados a uma sobrevivência relativamente prolongada, mas têm pouco potencial de cura quando a doença se manifesta em estadios mais avançados e podem evoluir para linfomas de alto grau. Os doentes com LNH intermediário e de alto grau que recidivam apresentam pior resposta aos tratamentos.

por Dulcineia Pereira – Médica Interna de Hematologia IPO – Porto