Mielomas

MIELOMA MÚLTIPLO

O Mieloma múltiplo é uma doença do sangue, maligna, que se desenvolve a partir de células sanguíneas denominadas plasmócitos. Estas células do sistema imunitário têm origem na medula óssea, que é o sítio onde se dá a produção de todas as células sanguíneas, e que se localiza no interior de alguns ossos (longos, vértebras e esterno). No mieloma, os plasmócitos produzem grandes quantidades de proteínas malignas, em vez de produzirem anticorpos que são benéficos para o ataque às infeccções. É muitas vezes esta proteína maligna, ou monoclonal, que é detectada e monitorizada quando a doença é descoberta.
A idade de maior prevalência é a 6.ª década de vida, embora possa atingir pacientes mais novos. Representa cerca de 1% de todos os cancros e surgem 5.6 novos casos, por 100 000 pessoas, todos os anos. Desconhece-se a causa do mieloma, embora a exposição a certos químicos, radiações possam ser factores desencadeantes.

SINTOMAS

Ao contrário dos linfomas, não existe um nódulo ou gânglio. As células cancerígenas são encontradas na medula óssea/osso – coluna, crânio, costelas, ossos longos – e a proteína monoclonal produzida pode causar sintomas:

  • Dor óssea
  • Fadiga
  • Infecções repetidas/graves
  • Anemia
  • Fracturas Ósseas
  • Insuficiência Renal

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico faz-se em função da detecção da proteína monoclonal, bem como da identificação das lesões provocadas pelo Mieloma Múltiplo nos chamados órgãos-alvo. È necessário investigar esta proteína monoclonal no sangue e na urina, bem com é necessário fazer um aspirado da medula óssea, para que possam identificar os plasmócitos anormais. Existem ainda alguns marcadores como a ß2microglobulina, a albumina e a desidrogenase láctica que podem ser consideradas marcadores de prognóstico. É ainda necessário fazer um Rx ao esqueleto, para identificar lesões ósseas.

TRATAMENTO

O mieloma é uma doença incurável, mas onde é possível ter acesso a tratamentos que visam debelar ao máximo a doença, podendo ficar largos períodos sem necessidade de tratamentos e sem sintomas ou complicações. Existem muitos avanços no campo do tratamento desta patologia, nos últimos anos. Os tratamentos seguintes podem ser usados:

  • Corticoterapia (cortisona)
  • Quimioterapia oral (melfalan, ciclofosfamida, talidomida, bortezomib)
  • Alta dose de quimioterapia seguida de auto-transplante de medula óssea

O tratamento é adaptado a cada doente, sendo possível tratar mais intensivamente doentes mais jovens, com melhor estado geral, sendo-lhes proposto a realização de auto-transplante de medula óssea, como estratégia para consolidar uma primeira fase de quimioterapia oral. O auto-transplante de medula óssea é um procedimento que permite aos doentes suportar altas doses de quimioterapia, que provocam aplasias medulares, sendo depois transfundidos com as células progenitoras hematopoiéticas, previamente recolhidas, para que a medula volte a produzir novamente os componentes sanguíneas.
Aos doentes com mais idade e/ou com pior estado geral é oferecido um tratamento menos intensivo – quimioterapia oral.
Pode ainda ser necessário recorrer ao tratamento cirúrgico para estabilização de fracturas ou tratamentos anti-dor (radioterapia).

EVOLUÇÃO

Embora não seja curável, as taxas de sobrevivência têm vindo a aumentar cada vez mais, nas últimas décadas.

por Sergio Chacim – Médico Interno de Hematologia IPO – Porto